Sendo bastante sincera, não sou a maior fã de Live Actions do mundo, devo ter visto pouquíssimos e sempre acho meio tosco, mas meu conceito mudou um pouco depois de ter visto Hua Mulan e Nodame Cantabile. Além disso, Samurai X marcou minha pré adolescência/adolescência e quando vejo as imagens fico completamente arrepiada. Espero do fundo do meu coração não me decepcionar, estou cheia de expectativas, o que já acho que seja um erro :x
quinta-feira, 5 de abril de 2012
A Espera Incansável de Rurouni Kenshin Live Action
Continuam sendo liberados mais e mais teasers de Rorouni Kenshin versão live action, eles liberam tudo, menos a droga do filme. Tô ansiosa, façam o favor de acabarem com a minha agunia!!! Aí vai o trailer oficial, aproveitam e morram de ansiedade que nem eu.
Reparem na pinta de galã do Sano no fim desse trailer, azgatapira!!!!
Sendo bastante sincera, não sou a maior fã de Live Actions do mundo, devo ter visto pouquíssimos e sempre acho meio tosco, mas meu conceito mudou um pouco depois de ter visto Hua Mulan e Nodame Cantabile. Além disso, Samurai X marcou minha pré adolescência/adolescência e quando vejo as imagens fico completamente arrepiada. Espero do fundo do meu coração não me decepcionar, estou cheia de expectativas, o que já acho que seja um erro :x
Sendo bastante sincera, não sou a maior fã de Live Actions do mundo, devo ter visto pouquíssimos e sempre acho meio tosco, mas meu conceito mudou um pouco depois de ter visto Hua Mulan e Nodame Cantabile. Além disso, Samurai X marcou minha pré adolescência/adolescência e quando vejo as imagens fico completamente arrepiada. Espero do fundo do meu coração não me decepcionar, estou cheia de expectativas, o que já acho que seja um erro :x
segunda-feira, 12 de março de 2012
Análise Kimi Ga Nozomu Eien
A primeira vez em que vi Kimi Ga
Nozomu Eien foi a cerca de 5 ou 6 anos atrás, lembro que comecei a chorar a
partir do terceiro episódio e que quando o anime terminou eu me tranquei no
banheiro pra chorar ainda mais... Só por essa introdução já deu pra saber que
ele é daqueles super dramas que te deixam uma semana mal né?! Resolvi ver
novamente, mais por curiosidade do que pra fazer um post, apenas pra rever um
dos meus animes preferidos, mal sabia eu que minha percepção a respeito mudaria
radicalmente. A maturidade chega para todos um dia e você só se dá conta em uma
situação como essas. O anime que um dia te fez chorar, hoje te faz rir, e o
mesmo anime que te fez ficar com raiva da amiga que “rouba” o namorado da
outra, hoje te fez ter reflexões muito mais profundas a respeito da vida e dos
relacionamentos. Então meus caros, vamos à premissa.
Para você que sofre de problemas
cardíacos e não tá a fim de ficar puto da vida comigo porque to te contando o
que acontece, então pare de ler nesse momento, pois esse post será um show de
spoilers :D
Queria começar fazendo uma breve
passagem pela estória do anime, começando pela vida escolar dos personagens
onde nos são apresentados quatro amigos, personalidades distintas, mas que se
entrelaçam de forma tão simples. Mitsuki, a figura da mulher independente já
quebra um pouco com a estereotipação japonesa da mulher frágil e tímida e nos
apresenta alguém diferente do “convencional”, em contrapartida temos Haruka, o
sonho japonês de mulher que leva consigo a alma de criança, timidez e altruísmo.
Paralelamente são apresentados Takayuki, nosso protagonista medíocre e que não
denuncia nada de muito novo em sua caracterização, e o Shinji que a priori só
está no anime porque o autor é supersticioso o suficiente para achar que
amizades tem que ser contadas em número par.
Embora eu tenha ficado um pouco impaciente com
o mimimi da Haruka no começo, não posso deixar de dizer que achava ela e o
Takayuki um casal fofinho, daqueles bem sonhadores que fazem promessinha e
juras secretas, mas antes que você realmente pudesse se afeiçoar ao casal, ela
sofre o acidente e deixa você de boca aberta sem entender nada. Então, você que
já precisou de um tempo para se “curar do choque”, abre o próximo episódio e dá
de cara com o Takayuki e a Mitsuki como casal, aí você não entende mais nada
mesmo. Muita calma nessa hora, alguns minutinhos para absorver tanta informação
e o anime vai criando uma aura cada vez mais pesada, fica denso e te envolve
emocionalmente naquele frenesi, se assim podemos dizer. Tudo fica meio confuso,
você não sabe mais o que sente e fica angustiada, triste... começa a
identificar o anime na sua vida e quando vê já era, você se auto bombardeou de
perguntas.
Aos 12 anos eu usei de todo meu
vocabulário de palavrões para xingar e amaldiçoar a Mitsuki, hoje eu senti a
dor dela. Gostar de alguém e não poder se declarar, não ter ao menos alguém para conversar a respeito é um dos
sentimentos mais angustiantes do mundo e se torna ainda pior quando você se
sente “obrigada” a ajudar sua melhor amiga a ficar com esse alguém. Tudo por
causa de uma convenção social que denuncia como traidor aquele que flerta/ama
namorados de amigas, mesmo quando as amigas estão em coma sem a mínima previsão
de quando vão acordar. Não que eu me abstenha disso, não sou hipócrita de dizer
que não ficaria chateada se acontecesse comigo, mas faz você rever seus
conceitos sabe?! Ninguém manda no coração e escolhe por quem se apaixonar, os
sentimentos acontecem e você não pode ser alheio a eles. Depois do acidente, o
Takayuki se revelou extremamente fraco, foi por causa da Mitsuki que ele
conseguiu se reerguer, ela sustentou a relação desde o começo, muito embora o
relacionamento fosse pautado e regado a sentimento de culpa, eles se amavam de
verdade, daquele jeitinho meio depressivo, mas era amor.
A Haruka acorda e já dizia Maísa
“meu mundo caiu”. Começam-se a procurar os culpados para a infelicidade geral e
você começa a sentir pena da coitada da Haruka, tadinha, não escolheu passar 3
anos da vida dela dormindo numa cama de hospital, mas é a vida, quer dizer, o
anime. A verdade é que não existem culpados se não a crime, apenas uma sucessão
de desventuras da vida, ela que é nossa maior aliada ou vilã. A que pode te dar
a maior felicidade ou te levar ao maior desespero.
A verdade é que não era amor o
que restava no Takayuki, era apenas a necessidade de ter acabado, ter visto o
desgaste da relação e ter posto um fim nela. O acidente aconteceu de forma
inesperada obviamente, logo ele nunca teve a chance de se despedir dos laços
que tinha com a Haruka. A partir daí, nós podemos enxergar a mudança dos
personagens. Mitsuki que antes era apresentada de forma independete, seguiu seu
coração, largou seus sonhos e cuidou de seu amado; Haruka que era a
personificação de uma mulher dos sonhos conseguiu seguir em frente com suas
belas palavras :” Foi um sonho divertido, obrigada” e disse adeus; Shinji que
se manteve o mais equilibrado da turma, talvez pelo seu menor contato com
Haruka, teve seu momento de importância no anime levando Mitsuki ao fundo do
poço e a dando inconscientemente a coragem
de se desvencilhar daquele ciclo; Takayuki, tendo finalmente conseguido cortar
seu laço com Haruka, foi atrás de seu verdadeiro amor, em busca de uma vida
menos sofrida digamos assim.
Kimi Ga Nozomu Eien é um retrato
da realidade contado de forma mais dramática e com milagres da medicina. Provavelmente você possa vir a se identificar
com os personagens ou com o que eles
passam, pois tudo ali foi meticulosamente calculado para lhe causar a maior dor
possível ao assistir, e sabe porque te causa dor? Porque pode ser real. É
daqueles animes antigos que serão atuais por muitos e muitos anos... vale a
pena ver e refletir sobre sua mensagem.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Faltou sal em Mirai Nikki
Sinceramente não consigo entender o porque das pessoas
gostarem tanto do anime Mirai Nikki... Comecei a ver com boas expectativas, mas
só me decepciono. A cada episódio é uma fodagem nova, a Yuno (que deveria mudar
o nome para Chuck Norris) é praticamente invencível. O Yuki... preciso nem
comentar né?! Dá um show de masculinidade a cada episódio... (Sim, sintam a
ironia fluir a bom gosto).
A estória do anime não é lá das mais criativas, mas é
cativante. Os shows de loucura a bom gosto dão uma temperada em algo que
poderia ser muito bom, mas que é no mínimo morno, isso quando os episódios
fluem de forma menos forçada. É como se estivessem empurrando a estória
garganta adentro sem ao menos te dar o direito de mastigar.
Minhas
maiores críticas são na verdade ao fato do Yuki ainda querer ficar perto da
stalker louca varrida, sem noção, bipolar e esquizofrênica Yuno (os adjetivos
dados a ela são todos redundantes, mas ela merece que sejam repetidos por nomes
diferentes). Claro que eu sei que do Yuki não se deve esperar nada, ele só
quer saber de salvar a própria pele e quando pensa em ajudar os outros, acaba
metendo sua perseguidora no “plano brilhante” arriscando a vida dela também
(não que ela reclame por isso), além disso existe o fato dele ser um bebê
chorão, froxo, tosco que só chora e se desespera, mas mesmo com todas essas
adjacências ele ainda assim não devia ficar perto dela depois do acontecimento
nos episódios 13/14. Quando eu penso que ele vai virar macho e vai literalmente
mandar ela pro inferno, ele corre com o rabinho entre as pernas na primeira
situação de perigo eminente. Não que eu não me divirta, ao contrário, eu dou
boas gargalhadas com a falta de virilidade dele, mas chegou em um ponto que
cansei... ou ele acaba com essa situação ou vai se afundar mais ainda nas
garras dela....
Whatever, não vou deixar de ver o anime, até porque se vi 15
episódios não vou parar agora. Todavia, espero sinceramente que o anime mude de
rumo e me surpreenda... Vou começar a ler o mangá, o que me parece ser bem
melhor do que a animação. É isso, volto a comentar quando ele acabar. See Ya.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
AMVs que valem a pena
Sou muito apaixonada por AMVs (Anime Music Video) e por MMVs (mangá
music video), todas as vezes em que penso em ver um anime, a primeira
coisa que faço é dar uma checada nos vídeos e ver algumas imagens para
saber se me interessam. O que começa com apenas uma visualização, logo
se expande para 15 janelas abertas e não para, fico meio viciada e não
consigo mais parar. É por isso que pensando em um desses dias de azilada
no youtube, achei que seria legal trazer para vocês alguns dos bons.
Sei que não terá espaço para nem metade, logo pretendo fazer mais posts
semelhantes a esse. ENJOY :D
Galera, obviamente, se nós pegamos imagens dos animes, elas contém spoilers, entããããão, se você não gosta, aconselho a não dar PLAY.
Death Note
Bakemonogatari
Soul Eater
Mahou Shoujo Madoka Magica
Fate Stay Night
Berserk
Steins;Gate
Rosario + Vampire
Galera, obviamente, se nós pegamos imagens dos animes, elas contém spoilers, entããããão, se você não gosta, aconselho a não dar PLAY.
Death Note
Bakemonogatari
Soul Eater
Mahou Shoujo Madoka Magica
Fate Stay Night
Berserk
Steins;Gate
Rosario + Vampire
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Análise Mahou Shoujo Madoka Magica
Recentemente saiu a lista dos animes mais tristes e Mahou Shoujo
era o primeiro. Na lista constavam animes como School Days e Kimi Ga Nozomu
Eien. Eu, sendo fã de drama e finais tristes, resolvi ler a respeito e ver
sobre o que se tratava. Olhando friamente o desenho e as imagens que me vieram
em uma simples pesquisa ao Google, odiei o traço, já parecia aquele típico
anime de garotas fofinhas que falam que nem criança e são tímidas a ponto de
gaguejar a cada 4 palavras de 5 em uma frase, todavia, ao ler um pouco mais
sobre a estória, tive uma surpresa boa: maioria das pessoas que comentavam
sobre o anime disseram que a aparência das imagens de entrada e até mesmo das
garotas não revelavam em nada a sua essência, e que o mesmo era regado de
sangue e morte. Conseguiu minha atenção novamente! Um anime com sangue e drama
é tudo o que vejo de melhor. Resolvi baixar.
“- Não há salvação para essa alguém, uma vez que ela se
tornou uma garota mágica. Fazer o contrato significa desistir de tudo que você
tem por aquele único desejo.
- Então você desistiu de si mesma e de todas as outras
garotas?”
Esse é um simples diálogo entre
Hamura e Kaname e fala em 1 minuto a narrativa do anime. Então a partir de
agora, aviso que se você não gosta de ler spoiler, pare por aqui e só volte
quando tiver visto o anime, ao contrário, leia por conta e risco.
Desde o primeiro capítulo o que
mais me chamou a atenção foi o cenário psicodélico/bizarro, em um instante é
monocromático cheio de vidros e espaço vazio, no outro instante é um show de
cores mobiliado que misturam dança, pintura, música e cadeiras. Porque meu
querido amigo, nunca vi bizarrice em cadeiras até ver esse anime, são muitos
modelos diferentes para todos os gostos... Em alguns momentos, eu quase deixei
o anime mudo e liguei Pink Floyd no rádio, seria com toda a certeza a trilha
sonora perfeita. Se eu soubesse fazer AMV e estivesse a fim de fazer um,
cortaria todas as passagens de “caça as bruxas” desse anime e soltaria uma
música ao estilo de dark side of the
moon.
Tidas as primeiras impressões e
um pouco entediada com o ritmo do anime, eis que ele começa a acelerar e mostrar
diálogos mais “cativantes”, além de denunciar os primeiros desvios de caráter.
É aí que se encontram minhas primeiras observações.
Primeira: Quem diabos confiaria
em alguém chamado Kyubey??? A grafia pode até ser diferente, mas Naruto já
ensinou bastante a respeito.
Segunda: Não consegui deixar de
notar o tom masoquista das palavras do pai de Kaname quando ele diz :”Há muitas
coisas que são dolorosas e feias, mas o sentimento de satisfação que você ganha
no fim do dia é o que é importante”. Culpa da tradução ou não, essa frase
gritou non sense e me causou ainda mais curiosidade.
A partir daí, o thriller foi pegando
forma e a agonia se fez, após a primeira morte peguei gosto e não consegui mais
parar. Comecei a me questionar furos entre as passagens... Se o que eles
buscavam era algo que precisasse de energia, o que de fato seria energia?De que
seria feito o mundo?Se a existência das mahou shoujo é em prol da busca da
troca equivalente, quando suas almas são tomadas o que é dado em troca? Suas
existências não supriam espaços vazios para que houvesse equilíbrio?! Assisti
ansiosa o desenrolar, esperando a hora em que minhas duvidas seriam extintas...
Entretanto elas não foram. O anime se perdeu no final, ao invés de dar
respostas condizentes, ele nos bombardeou de mais perguntas e morreu na praia.
Terminei o último episódio com a
sensação de tempo perdido. Fiquei em frente ao computador com a boca aberta
dizendo WHAT THE FUCK?? E acredite minha indignação não é pelo simples fato
dela ter saído da personificação rumo à onipotência divida, não mesmo! É muito
mais que isso! Ela mexeu com o passado - e olha que nem precisamos ser bruxos
para sabermos que a regra mais simples de se mexer com o passado é estarmos
preparados para as conseqüências do presente/futuro – e o mundo continuou
IGUAL, isso mesmo senhoras e senhores, a realidade continuou a mesma com uma
pequena licença poética para o fato de a família dela nunca tê-la tido, e como
se fosse pouco, nem ao menos se deram ao trabalho de explicar o que foi feito
de todas as vidas já tiradas das antigas mahou shoujo. Capítulos antes, a
boneca do cão, Kyubey havia dito que eram elas quem mantinham a humanidade e
que se elas não existissem (inclusive o fato de suas posteriores transformações
em bruxas) a humanidade ainda estaria na Idade Média. Então, pode explicar que
droga de final foi esse??
Revoltas a parte, afirmo que a
melhor coisa do anime foi ter visto o pai da Kaname ser o dono de casa enquanto
a mãe dela era a provedora do lar, nenhuma das bizarrices legais e psicoledices
fofas vão apagar a frustração em meu coração, muito embora o visual tenha me
cativado. É um anime legal, mas deixa muitas lacunas, ainda assim é um bom
passatempo.
Aí vai um AMV bem legal que achei no Youtube.
Aí vai um AMV bem legal que achei no Youtube.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
A Balada de Mulan
Desde criança sou apaixonada por esse filme, na época o
simples fato de Mulan (orquídia) ir à guerra e voltar com um príncipe
incrivelmente lindo já satisfazia a todas as minhas expectativas para com o
filme, mas depois de tanto tempo minha admiração só aumenta, percebo hoje os
ensinamentos e o contexto histórico envolvido, tendo uma maior noção do real
perigo a que Mulan se expôs.
A
história se passa em 450 d.C, em uma sociedade patriarcal, feudal e de recém
construção da Grande Muralha da China. Mulan, assim como as mulheres da época
começa o filme se preparando para apresentar-se à casamenteira, onde logo de
cara é criticada pela sua magreza e falta de refinamento, juntando os objetos
de comédia onde a protagonista toca fogo na casamenteira e provoca riso em
adultos e crianças, nota-se a predisposição das mulheres aos afazeres
domésticos. São todas criadas para bem servirem seus maridos, submissas, elas
dedicam suas vidas a servidão.
Porém, como dizia Luísa Marilac, Mulan resolveu fazer
diferente, inconformada com a convocação do, já velho, pai, a protagonista vai
à guerra em seu lugar e lá prova o valor feminino na igualdade. Vista como homem
por todos, ganha reconhecimento e torna-se um verdadeiro soldado, salvando
assim, a vida de toda a tropa.
O que
se vê em Mulan, é um conto feminista em meio a tanto machismo, assim como se vê
amor, lealdade e piedade filial. Todavia, o conto de fadas narrado e dirigido
pela Disney é apenas uma adaptação com bastante licença poética. Poucos sabem,
mas a história da menina que vai a guerra para substituir o pai é uma antiga
cantiga folclórica chinesa cantada com naturalidade às crianças desde meados do
século XII.
Contrariando a realidade em que vivem, as crianças chinesas
crescem ouvindo a estória de garra de Mulan enquanto convivem com a realidade
das Gueixas. Contradições a parte, a China mudou, seus costumes mudaram e
embora ainda seja uma sociedade machista (assim como vemos em praticamente todo
o mundo), guarda um baú milenar de cultura e literatura, herança de dar inveja
ao Ocidente.
A Balada de Mulan
1. A convocação
Um
suspiro e outro suspiro,
Mulan
tece de fronte à porta.
Não se
ouve o som da lançadeira,
Não se
ouvem os suspiros da filha.
Perguntam
o que está no seu coração,
Perguntam
o que está no seu pensamento,
“Não há
nada em meu coração,
Não há
nada em minha mente.
Noite
passada eu vi os anúncios para o recrutamento,
O Khan
está convocando muitas tropas,
A lista
do exército está escrita em doze rolos,
Em
todos eles aparece o nome do meu pai.
2. O aprestamento
Meu pai não tem nenhum filho crescido,
Mulan
não tem nenhum irmão mais velho.
(Então)
eu irei comprar uma sela e um cavalo,
E
servirei o exército no lugar de meu pai.”
No
mercado leste ela comprou um cavalo de porte,
No
mercado oeste ela comprou uma boa sela,
No
mercado sul ela comprou um bom freio,
No
mercado norte ela comprou um longo chicote.
3. Mulan deixa sua casa e sua família
Ao amanhecer ela deixou seu pai
e sua mãe,
Ao
anoitecer ela chegou ao acampamento nos bancos do rio Amarelo.
Ela já
não ouve mais o chamado de seu pai e sua mãe,
Ela
ouve apenas o rumor da corrente do rio Amarelo.
Ao
amanhecer ela deixa o rio Amarelo,
Ao
anoitecer ela chega à montanha Hei.
Ela já
não ouve o chamado de seu pai e sua mãe,
Ela
ouve apenas o relinchar dos cavalos nômades do monte Yen.
4. A marcha da guerra
Ela avançou dez mil milhas por
causa da guerra,
Ela
passou voando por desfiladeiros e montanhas
As
rajadas do vento norte traziam o rufar do metal,
As
luzes frias brilhavam nas armaduras de ferro.
Generais
pereceram numa centena de batalhas,
Soldados
enrijecidos retornaram após dez anos.
5. Mulan declina das honras militares
Ao retornar ela vê o imperador,
Ele
estava sentado numa sala suntuosa.
O
imperador concedeu promoções em doze categorias,
E premiou
centenas de milhares.
O Khan
perguntou o que ela desejava.
“Mulan
não tem interesse em postos oficiais.
Eu
desejo apenas uma montaria veloz
Que me
leve de volta ao lar.”
6. Mulan retorna para sua casa e sua família
Quando o pai e a mãe ouvem que
a filha está voltando
Dirigem-se
para fora dos muros da casa, apoiando-se um no outro.
Quando
a irmã mais velha ouve que a irmã mais nova está voltando
arruma
a maquiagem e coloca-se defronte à porta.
Quando
o irmão mais novo ouve que a irmã mais nova está voltando
afia
sua faca e prepara o leitão e o cordeiro.
7. Mulan revela o seu segredo
“Eu abro a porta do quarto
leste,
E
sento-me na minha cama na sala oeste,
Eu tiro
minha armadura de guerra
E visto
meus trajes de antigamente.”
Defronte
ao espelho ela penteia seus cabelos de nuvem,
Segurando
o espelho, ela enfeita-se com flores
Ela
abre a porta e se apresenta diante dos seus companheiros
Eles
ficam todos surpresos e perplexos.
Pois
viajaram juntos por doze anos
E não
sabiam que Mulan era uma garota
8. Moral da história
“As patas do coelho pulam mais,
Os
olhos da coelha são mais estreitos,
Mas
dois coelhos correndo lado a lado junto ao chão, não se pode distinguir
E assim
quem poderia dizer se eu era um rapaz ou uma garota?”
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
O Segredo da Sakura
Vinha me perguntando esses dias
como escreveria esse post de forma interessante e informativa, pensei, pensei,
adiei uns 3 dias, mas cheguei a conclusão de que tentaria ao máximo expor meus
sentimentos com relação ao assunto, assim como tentaria trazer informação nova
a respeito com as minhas próprias palavras. O motivo de tanta reflexão é
exatamente aquele que me fez batizar o blog com seu nome: as flores de
cerejeira, ou sakura, como são chamadas no Japão.
Não sei bem quando minha paixão
começou, mas simplesmente em algum dia, desses como qualquer outro vi uma
expressão diferente de beleza, uma figura frágil com braços pequenos, mas que
ostenta troncos fortes e de vida longa. Provavelmente está diretamente ligada a
minha recente adoração pela primavera, onde tudo é símbolo de vida e as cores
pintam as ruas como nas músicas, tudo fica colorido e passa a impressão de
alegria. Foi admirando cenários de tardes primaveris que descobri meu fascínio
pelas cerejeiras e busquei cada vez mais informações a respeito. Informação essa, que me fez
cultivar o sonho de tatuar a árvore em minhas costas.
A começar pelo fato de que elas
se misturam ao passado japonês de guerras e samurais, tendo seu significado no
código Bushido (Código do samurai). Julgada a maior manifestação de beleza
japonesa, sua efemeridade é vista como a perfeita morte para um guerreiro,
tendo suas pétalas espalhadas pelo vento, aceitando assim, a transitoriedade da
vida. “Este é um bom dia para morrer”, já dizia o lema do samurai.
Fazendo um paralelo com a “Rosa
de Hiroshima”, esse mito de que acima das guerras, mesmo sanguinárias e atrozes,
nascem um vestígio de beleza rara para nos lembrar as almas ternas que lhes
foram alimentadas. É como no exemplo fictício de “E o vento levou”, onde a
terra de Tara conta a estória da guerra. Ficando a árvore de pé. Particularmente,
gosto de imaginar que de onde veio sangue hoje reina o rosa, a mistura do vermelho
com o branco.
A visão chinesa, entretanto, aborda
a expressividade feminina e a sexualidade. Uma personificação do amor, que gera
frutos de rubro intenso e maduro. O suco de cereja madura é freqüentemente
comparado ao gosto do amor. Na aparência, o fruto lembra os lábios de amante,
que ao serem mordidos, dão a impressão de sangramento. Há muito tempo o fruto
da cerejeira é ligado ao erotismo, assim como a perda da inocência.
Na índia, a cerejeira é vista como
árvore sagrada, dando sorte à família que a tiver cultivada em seu quintal.
Além de todas as crenças, gosto
de imaginar que, mesmo parecendo frágil, ela é sustentada por troncos fortes,
tendo alicerces, e sua real natureza é transcendental, assim como a estória de
sua terra e seu povo. O tesouro do Oriente, guardando os segredos de uma
estória completamente diferente e que o Ocidente jamais viu igual.
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